Reformulada, Globo avança na direção de se tornar ‘media tech’

08-11-2019 10:13 - Ecossistema Brasil

Reformulada, Globo avança na direção de se tornar ‘media tech’

Como mais uma etapa do projeto “Uma Só Globo”, anunciado em setembro de 2018, o grupo de mídia anuncia que unificará as estruturas de todas as suas marcas – TV Globo, Globosat, Som Livre, Globo.com, Globoplay e DGcorp – em um única empresa, chamada apenas Globo. A reformulação foi anunciada nesta sexta-feira, 8, pelo presidente executivo da Globo, Jorge Nóbrega.

“Essa estrutura é a forma de adequar o jeito com que vamos operar à estratégia que já havíamos definido. O que fizemos foi adaptar o modelo operacional, incluindo os processos, a governança e a estrutura da empresa, à estratégia de ser uma companhia voltada ao consumidor, com diversos produtos digitais”, diz Jorge Nóbrega, presidente executivo do Grupo Globo. “Esse campo, o do relacionamento direto com o consumidor, exige novas competências da empresa.”

Os modelos tradicionais de TV não davam à Globo a possibilidade de contato direto com o consumidor final, que se tornou essencial na era digital, diz Nóbrega. Na TV aberta, o sinal de radiodifusão não permite essa interface; e na TV paga, os clientes são das operadoras de serviços, não dos criadores de conteúdo. Com a mudança de comportamento do público, que ganhou mais poder de decisão do que quer ver, o objetivo da Globo é tornar-se uma “media tech”, com foco tanto na produção de conteúdo como em tecnologias que permitam fazer ofertas de conteúdo mais adequadas ao público, com base em suas preferências.

Com a unificação das empresas, a Globo reorganizou seus pilares de liderança, que passam a ser divididos da seguinte forma:

  • Canais Globo (TV Globo, gestão da rede de afiliadas e portfólio de canais de TV por assinatura) – fica sob a responsabilidade de Paulo Marinho, que até então era diretor-geral de conteúdo e canais da Globosat;
  • Criação & Produção de Conteúdo (criação e produção para todas as plataformas de conteúdos de entretenimento, esporte e jornalismo) – fica sob o comando de Carlos Henrique Schroder, atual diretor-geral da TV Globo;
  • Produtos & Serviços Digitais (Globoplay, G1, Globoesporte.com, GShow, a home da Globo.com, Cartola e outros produtos) – fica sob a responsabilidade de Erick Brêtas;
  • Soluções Integradas de Publicidade (venda de publicidade e monetização de inventários lineares e digitais) – fica sob o comando de Eduardo Schaeffer;
  • Aquisição de Direitos (que cuidará da aquisição dos diretos de transmissão para produção audiovisual, principalmente em esportes e entretenimento) – será comandada por Pedro Garcia;
  • Estratégia & Tecnologia (visão de longo prazo no negócio, parcerias e alinhamento estratégico para transformar a Globo em uma empresa de mediatech) – fica sob a responsabilidade de Rossana Fontenele;
  • Marca & Comunicação – comandada por Sergio Valente;
  • Finanças, Jurídico & Infraestrutura – comandada por Manuel Belmar;
  • Recursos Humanos – comandada por Claudia Falcão;
  • Relações Institucionais – comandada por Paulo Tonet;
  • Som Livre (que abrange o Sistema Globo de Rádio) – comandada por Marcelo Soares

Além dessas áreas, a Globo também terá outras divisões independentes. Uma delas é a Editora Globo, que segue sob o comando de Frederic Kachar, mas respondendo diretamente a Jorge Nóbrega. Outra é a divisão Globo Ventures, que será responsável pelos investimentos diretos dos acionistas, sendo liderada por Roberto Marinho Neto.

Segundo o comunicado, as mudanças começam a ser implantadas em janeiro e a primeira etapa da composição da nova estrutura organizacional será detalhada nos próximos meses.

Globoplay e GloboID

A Globo planeja investir R$ 1 bilhão no Globoplay e em novas tecnologias em 2020, diz Nóbrega. A estimativa é que o número de assinantes do serviço de streaming cresça cerca de 80% no ano que vem. Há oportunidades diferentes para o Globoplay em relação a competidores como Netflix e Amazon Video. Essas empresas têm alcance global, mas estão concentradas em séries, enquanto a Globo pode agregar conteúdo diferente aos usuários brasileiros, como esportes e jornalismo, afirma o executivo.

Uma parte essencial dessa estratégia é o Globo ID, sistema de identidade digital que serve de porta de entrada para todos os serviços digitais da companhia. “O sistema é central nessa nova configuração porque nos mostra a jornada do consumidor”, diz Nóbrega. A base de dados padronizada, que permite segmentação mais precisa, já conta com 50 milhões de usuários.

O esforço de transformação digital não implica perda de importância da TV aberta. “A tecnologia vai favorecer [a radiodifusão]”, afirma Nóbrega. Até 2023, todos os novos aparelhos de TV terão conexão à internet porque os fabricantes deixarão de produzir os equipamentos sem essa função. Com o avanço da banda larga, estará aberto um caminho novo, com a possibilidade de transmitir anúncios publicitários para pessoas diferentes durante o mesmo intervalo comercial. A tecnologia já está em teste na Globo.